O Palácio da Brejoeira

Introdução

O Palácio da Brejoeira será o palco do I Encontro de Escritores da Lusofonia a realizar neste mês de Julho, nos dias 29, 30 e 31. Tratar-se-á de um projecto que contará com apresença de escritores conceituados na literatura europeia, africana e americana em língua portuguesa.

Aberto ao público em geral, do evento constarão inúmeras palestras, debates, recitais, actuações musicais e ainda pequenas excursões. O Palácio da Brejoeira dotado de um espaço exuberante e voltado para uma forte componente cultural abraçará a iniciativa com “Momentos” de verdadeira partilha do saber, de lazer e de inúmeras vivências.

Página oficial: http://www.palaciodabrejoeira.pt/

Dois séculos de História

Considerado um dos mais imponentes solares do Norte do país, o palácio da Brejoeira beneficia, ainda, da mata e jardins envolventes, que lhe conferem um estatuto singular no campo da arquitectura civil portuguesa. Edificado no início do século XIX e concluído, ainda que parcialmente em relação ao projecto inicial, apenas 28 anos mais tarde, este imóvel reveste-se de especial importância por representar “o encontro entre dois estilos – o barroco e o neoclássico” (AZEVEDO, 1969, p. 122).

De acordo com as informações disponíveis, e a crer nas referências de Dora Wordsworth, aquando da sua passagem por Portugal em 1845, a construção deste imóvel ter-se-ia iniciado em data próxima de 1806, devendo-se a iniciativa da sua edificação a Luís Pereira Velho de Moscoso. A amplitude e arrojo do projecto, aliadas às despesas implicadas, terá retardado a sua conclusão, que se verificou, ao que tudo indica, cerca de 1834. Ainda assim, abandonou-se a planta quadrada, com quatro torreões e pátio central, para dar lugar a um palácio de planta em L, com duas fachadas e apenas três torreões.  Não se conhecem provas evidentes de identificação do arquitecto, mas o projeto do Palácio da Brejoeira tem sido atribuído ao bracarense Carlos Amarante, nessa altura um dos mais importantes arquitectos no norte de Portugal.

A fachada principal destaca-se pela monumentalidade dos seus torreões laterais, com mais um andar, e pelo corpo central, mais elevado. O alçado é aberto por janelas simétricas, de linguagem barroca, que ocupam toda a superfície. Remata o conjunto a platibanda que percorre, também, os torreões, estes últimos coroados por urnas (motivo neoclássico). O corpo central, mantendo o ritmo dos vãos (mas com espaçamentos diferentes entre as janelas), é elevado pela platibanda, característica já neoclássica, tal como outros elementos que fazem desta zona central o contraponto oitocentista ao gosto barroco, presente no recorte e disposição das molduras das janelas. Se estas tinham como objectivo animar a fachada, numa tipologia de fachada longa, com torres nas extremidades, e que acentua a importância do corpo central. Um modelo empregue em composições neoclássicas, como o Palácio da Ajuda.

Da mesma forma, podemos entender o alçado lateral, marcado pelo frontão triangular, ao centro, que faz destacar as janelas de sacada que lhe correspondem.

No interior, ganha especial interesse a escadaria de acesso ao andar nobre, bem como a decoração neoclássica dos salões, conhecendo-se o nome de alguns dos artistas que aqui trabalharam, bem como do mestre que os dirigiu – Domingos Pereira, natural de Vila Nova de Cerveira. Encontram-se faustosos salões com valiosas pinturas e frescos, ao sabor de uma distinta decoração. A capela e o teatro são testemunhos do bom gosto e requinte vivido na época.

Por volta de 1901, o Palácio foi vendido a Pedro Maria da Fonseca Araújo, Presidente da Associação Comercial do Porto, que realizou as maiores obras de restauração. Enriqueceu-o com o restauro da capela palatina e construção de um teatro, naquela que foi a última grande obra de remodelação, que incluiu, por sua vez, o revestimento das paredes do átrio e da
escadaria com apainelados de azulejos. Não obstante, no exterior, a reforma dos inúmeros jardins e do extenso bosque. A construção de um lago finalizou o período da mudança.

Não sendo descendente de sangue real, Luís Pereira Velho de Moscoso não podia construir um Palácio com quatro torres e por isso ter solicitado autorização ao Rei Dom João VI, para construir a terceira torre.

Em 1937, foi novamente vendido a Francisco d’Oliveira Paes, de Lisboa. Nos anos 60, já sob administração de sua filha Maria Hermínia d’Oliveira Paes, constrói uma adega moderna e, em 1976, lança para o mercado com grande sucesso a sua marca própria, o vinho Alvarinho “Palácio da Brejoeira”. Actualmente é accionista maioritária da sociedade anónima Palácio da Brejoeira Viticultores AS, que constituiu em 1999.

Actualmente, é nos seus terrenos agrícolas que se cultiva a casta nobre “Alvarinho”, responsável pela produção de um dos mais importantes vinhos verdes da região.

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