Private Z(oo)M – Tempo de bichos

PRIVATE Z(oo)M – TEMPO DE BICHOS

Celebrando as 70 vidas do poeta Arménio Vieira

é pela metaforização do discurso que se salva o pensamento

Arménio Vieira – um dos escritores mais emblemáticos do espaço Lusófono – prémio Camões 2009

Nasceu na Cidade da Praia em Santiago de Cabo Verde a 29 de Janeiro de 1941. Elemento activo da geração de 1960. Colaborou em SELÓ, Boletim de Cabo Verde, Revista Vértice (Coimbra), Raízes, Ponto & Vírgula, Fragmentos, Sopinha de Alfabeto e outras. Foi activista anti-colonial, preso pela PIDE em Angola. Em Cabo Verde trabalhou na metereologia, foi professor de Português, foi jornalista e re-writer no mítico jornal Voz di Povo. Leitor ávido, coversador incansável, cinéfilo militante, apaixonado pelo xadrez. Foi prémio Camões no ano 2009.

Este ano foi pai mais uma vez, aos 70 anos de vida. Para assinalar este feito único, o artista Mito Elías elaborou em jeito de homenagem uma sessão VIDEOPHONEMA – expressão pluri-media composta por sessão vídeográfica, paisagens sonoras e leituras de textos do poeta. Na tentativa de conceber algo mais coeso, tematizou as imagens fotográficas das banais paredes das ruas das nossas cidades em paralelo com os poemas dos bichos do autor homenageado.

Livros publicados :
1981 – Poemas – África Editora – Colecção Cântico Geral. – Lisboa.
1990 – O Eleito do Sol – Edição Sonacor EP – Grafedito – Praia.
1998 – Poemas (reedição) – Ilhéu Editora – Mindelo.
1999 – No Inferno – Centro Cultural Português – Praia e Mindelo.
2006 – MITOgrafias – Ilhéu Editora – Mindelo.
2009 – O Poema, a Viagem, o Sonho – Editorial Caminho – Lisboa.

TEMPO DE BICHOS – Projecto MAJINA

O POETA

Que bichos são estes, senão nós mesmos. Sempre o homem, na sua condição mortal e precária, com as suas grandezas e misérias, no centro da obra de Arménio Vieira. Mesmo quando convoca os Bichos do seu animalário, ou sobretudo quando os convoca, para se tornarem no espelho de todas as nossas perplexidades, onde buscamos as impossíveis respostas para este improvável destino de bicho-gente que somos. Para o poeta de Mitografias, à força de querermos ser diferentes transformamo-nos em burros, sem que isso nos dê a dignidade que ser burro, jerico ou asno implica. De tão distraídos, e sonolentos, tornamo-nos “animais de capoeira”. Não galinhas, porque como nos lembra o poeta “as coisas são o que são”.

Fazem de nós galináceos adormecidos e anestesiados. Podemos também ser frustrados e vingativos tubarões, ou tigres sanguinários e sem nobreza. Há uma nobreza de bicho que em nós se transformou em mera animalidade, e que fomos perdendo como em HOMENS-CÃES (E VICE VERSA). Mas desenganem-se. Os homens não são bichos. São meros bichos e animais como os bichos e os animais nunca ousam ser. Sim, porque afinal “as coisas são o que são”, e “mais não digo”, diz o poeta, na forma irónica de quase tudo dizer no que diz não dizer. Irónico, mordaz, corrosivo, com um refinado sentido de humor, são estes alguns dos instrumentos de precisão com que Arménio Vieira nos sonda a alma e põe a nu o sentido da existência. Herdeiro de uma tradição literária maior, Homero, Dante, Shakespear, Camões, Melo Neto ou Sena, é toda uma tradição cultural e literária na qual ele se insere e se assume, “li-os todos” (Arménio dixit), que está no centro da sua obra e nela se prolonga sem angústias.

Este espetáculo tem um carácter híbrido e contemporâneo, onde a música, a poesia e o vídeo se interlaçam, buscando uma comunicação mais plena. Terá cerca de 40 m de duração, durante a sessão serão abordadas cerca de 10 poemas do autor homenageado e serão exibidos 2 vídeos sobre a sua vida e obra. A actuação será apoiada por 1 colaboradora, nos registos e noutras nuances técnicas inerentes.

O PROJETO

Que nome dar a este espaço de exaltação estética, em que somos convocados para a celebração da palavra, numa ritualização mágica e interactiva, que nos franqueia os domínios do sagrado pela porta profana do fascínio, do prazer e da fruição plásticas?

Domina nestas performances o aparato da sua encenação, e não estamos distantes dos rituais da sagração. Mas sem obediência a um qualquer cânone, que não seja o do improviso, da experimentação, da irrupção do novo. Não faltam também, como nos domínios do sagrado, as técnicas, os instrumentos, os objectos, e até a figura do celebrante, embora aqui estejam estiolados, implodidos na sua missão de ordenamento, regulação e controlo, que dão lugar a uma prática da desobediência, da iconoclastia, de inesperado e até de insólito.

É uma atmosfera mais mágica que mística, um território mais estético que religioso mas onde não estão totalmente ausentes o espiritual e o sagrado. Os caminhos é que são outros, diversos, inusuais. Enquanto espaço de ritualização ele obedece a um processo de constante reinvenção, recriação. É a isto que chamamos PERFORMANCE POÉTICA, ou POÉTICA PERFORMATIVA, ou ainda ORAL ACTION (à maneira da Action Painting), território complexo e pluridisciplinar de hibridização pós-moderno, onde as linguagens se fundem num processo fecundo de crioulização e mestiçagem.

O AUTOR

Os trabalhos de Mito obrigam-nos constantemente a um olhar outro sobre a realidade. Um pouco à semelhança de uma certa poesia de Arménio Vieira, aqui celebrada, é um exercício de atenção contra a desatenção a que estamos sujeitos (ver poema ISTO É QUE FAZEM DE NÓS). A procura constante de processos de contaminação, de técnicas e de linguagens, sublinha o carácter experimental de um trajecto ímpar no panorama da arte caboverdiana.

José Cunha

VIDEOPHONEMA – neologismo sugerido a partir do livro Pão & Fonema do poeta Corsino Fortes – pretende simbolizar a pluri-disciplinaridade entre a poesia, o corpo, o vídeo e a sonorização.

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